domingo, 8 de junho de 2014

INTERVENÇÃO ILEGAL NO PORTO DE SANTOS PELO GOVERNO DO ESTADO. INTERVENÇÃO URBANÍSTICA ILEGAL NA CIDADE DE SANTOS PELA DERSA e emtu


sábado, 24 de maio de 2014

SANTOS NÃO PODE NEGLIGENCIAR OS ERROS DE IMPLANTAÇÃO DO VLT SOB RISCO DE GRAVE E INCORRIGÍVEIS CONSEQUENCIAS

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Quinta, 22 Maio 2014 10:01

Transporte público: "Decifra-me ou te devoro!"

escrito por Frederico Bussinger, ex-secretário de Transportes de São Paulo; presidente da CPTM e SPTRANS; e diretor do Metrô/SP
* Artigo é uma sistematização da minha intervenção no 2º painel do evento
Mais que um paradoxo; um mistério!
Inopinadamente um tsunami atingiu o sistema de ônibus (e o trânsito) da maior cidade do País. Incidentalmente, sem que vislumbrasse o caos que estava por acontecer, nela se reuniu, na véspera, a Frente Nacional de Prefeitos – FNP. A manhã da sua 65ª Reunião Geral foi dedicada ao candente tema da mobilidade urbana (discutido em 2 painéis *).
Foi (positivamente) surpreendente o grau de convergência, suprapartidária, dos prefeitos Fortunati (PT – Porto Alegre), Fernando Haddad (PT-SP), Gustavo Fruet (PSDB-Curitiba), Marcio Lacerda (PSB-Belo Horizonte), Antônio Pannuzio (PSDB-Sorocaba), Jonas Donizete (PSB-Campinas), Eduardo Leite (PSDB-Pelotas); incluindo-se nela o Dep. Fed. Carlos Zarattini (PT-SP), atuante no setor.
Em termos de diagnóstico, destaque-se: há ameaças reais, crescentes, ao sistema. Uma delas é o crescimento explosivo das frotas de carros e, principalmente, motos. O transporte coletivo - TC deve ter prioridade sobre o individual - TI. Alias, o TC é um “direito do cidadão e dever do estado”. O TC deve usar parte segregada do viário estrutural/estratégico. Há necessidade e espaço para os diversos modos de transporte, que devem integrar-se física, operacional e tarifariamente. Só há saída, estrategicamente, se transporte e uso do solo forem pensados e planejados conjuntamente.
Foto: Portal Terra
Imagem publicada no Terra mostra ônibus parados e contribuintes tendo que andar a pé
Sentiu-se falta, apenas, da carga; elemento essencial e inalienável da logística e da mobilidade urbana!
A convergência abrangeu, também, saídas para as ameaças no horizonte; destacando-se: Desoneração tributária + CIDE (reestabelecimento das alíquotas – hoje zeradas; e destinação ao “funding” do TC – investimento e custeio) + revisão do Vale-Transporte (no tocante à fórmula de pagamento; vinculação do seu uso; etc.) + REITUP (01, 02, 03) + envolvimento de “beneficiários” no financiamento do TC... temas também desenvolvidos na “Carta Aberta aos Pré-Candidatos a Presidente de República e a Governadores”, divulgada no evento.
A convergência, certamente, deve ser saudada... malgrado ser imperioso registrar que a maior parte dessa pauta remonta há 10, 20, 30 ou mais anos! Mas, como “nunca é tarde para se fazer o bem”...
Bem... se se sabe qual é a doença e, também, qual o remédio, por que o problema segue existindo? E pior: Por que a sensação de que ele, até, cresce dia a dia? Repetindo o surrado bordão: “Por que o óbvio não acontece?”.
Não é que houve convergências também para explicar esse mistério? Há uma resistência dos usuários do TI para implantar medidas que privilegiem o TC. “Mas, na China, não há nem Ministério Público, nem órgãos de licenciamento, nem tribunais de conta”, foi o (audível e quase uníssono) zum-zum-zum que se ouviu quando o Secretário de Transportes de SP, Jilmar Tatto, mencionou o exemplo de Shanghai (que, em 20 anos, implantou 500 km de metrô!).
Arrisco algumas hipóteses sobre o que nos tem feito perder tempo e desviar do caminho das soluções:
1) Talvez o óbvio não seja tão óbvio assim. Na hora de fazer, talvez o consenso seja menor que aparenta ser. Ouvi do embaixador e ex-ministro Ricupero: Em meados do Século XIX já havia razoável consenso quanto ao fim da escravidão no Brasil. Os que “mandavam no País” resolveram se reunir para estabelecer um plano para tanto: Abrangidos, eventuais indenizações, formas de inserção social (dos ex-escravos), instrumentos legais etc. Foi quando descobriram que havia muito mais divergências que consensos! P.ex: Propostas de cronograma ia desde “amplo, geral, irrestrito e já” até “gradualmente” e “até 1930”! Só para registro: A lei veio 40 anos depois e há indícios de escravidão até hoje...
2) Não existe solução mágica! Como com a “Geni” de Chico Buarque, muitos imaginam (e esperam), outros “vendem” a ideia, de que um novo tipo veículo, uma nova tecnologia, um novo leiaute solucionará o problema de uma hora para outra. Não! Ele é complexo e demanda ações articuladas, diligentemente aplicadas. Adianta pouco passar desodorante sem tomar banho!
3) Não há 2 pautas; 2 agendas: Custo e qualidade. Elas estão intimamente associadas. E mais; a não ser em condições muito especiais, diretamente correlacionados: Mais qualidade, maiores custos!
4) Não nos enganemos; nem queiramos enganar os outros! É uma ilusão; um desserviço vender-se (ou deixar-se veicular acriticamente) a ideia de que é possível melhorar a qualidade do TC mantidas as tarifas vigentes. Menos ainda reduzí-las! Um ou outro caminho requer que, além dos usuários do TC, também seus beneficiários participem do “funding” do setor (custeio e investimentos): empregadores, concedentes de gratuidades (idosos, estudantes, etc.) e, principalmente, usuários de transporte individual (que também se beneficiam de um transporte público de boa qualidade). Esse é o conceito que fundamenta, p.ex., o Vale-Transporte e a destinação da CIDE para o TC.
5) Sentido de urgência: O problema (e soluções) não é para 2040, 2025, 2022, 2020 ou, mesmo, só para depois das eleições. Os riscos de desorganização dos sistemas de TC nas cidades brasileiras estão aí. Como a esfinge, “decifra-me ou te devoro!”. Assim, as soluções precisam ser adotadas neste 2014. Por que é preciso esperar o fim da Copa? E isso não é impossível:
a) A CIDE tem mecanismos operacionais já testados. E, associado, p.ex., à “Conta-Sistema”, em SP (e congêneres em diversos outros municípios), é um mecanismo extremamente confiável e pronto para operacionalização imediata. Seria como “glicose-na-veia”! E está à mão.
b) O Congresso Nacional tem o REITUP e um extensor cardápio de medidas que podem ser adotadas. Muitas delas em fase final de deliberação. O que trava?
Ou seja, parodiando uma grande marca de artigos esportivos: “Just do it!”.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

VLT e Submerso: A DOBRADINHA DA DERSA QUE INICIA SEMPRE PELAS LICITAÇÕES! ENGRAÇADO, NE'?

Maria Antonieta no gabinete da prefeita (Foto: Mariane Rossi/G1)
Maria Antonieta no gabinete da prefeita(Foto: Mariane Rossi/G1)
10/01/2014 07h57 - Atualizado em 10/01/2014 08h04
2013 várias discussões sobre o túnel  
Santos e Guarujá. 
A prefeita acredita que o túnel realmente sairá do papel?
M.A. - O governador já assinou a licitação e eu acredito que é um processo sem retorno. Nós, como prefeitura, temos trabalhado desde o início, quando começou a questão do modelo, se seria ponte ou túnel. A prefeitura tem sido muito atuante nisso e atuou decisivamente para encontrar o melhor traçado, para poder evitar situações que sejam ruins para a população, diminuir os impactos e garantir e salvaguardar os direitos de toda a nossa cidade. Eu fui muito rigorosa na concessão da autorização. Eu coloquei as condições mínimas para começar a obra, como proteger acusticamente todo o traçado, garantir projetos sociais e habitacionais para a população que for removida, urbanizar a área, permitir que o comércio de Vicente de Carvalho não tenha impacto negativo e permitir que a parte que tiver viadutos e obras que precisam passar por cima da avenida que sejam feitas em caráter de obra de arte para embelezar a cidade.
G1: Desde o início, você acreditou que o túnel seria a melhor solução?
M.A. - Foi a que tecnicamente mostrou ter menor impacto em termos de intervenção física. A ponte seria de 4 km de descida e teria um impacto importante na visão da cidade e com o aeroporto ela não iria se viabilizar. Hoje, o aeroporto é uma realidade. O túnel irá desembocar, pelo nosso projeto do Governo do Estado, diretamente no aeroporto e vai integrar com uma outra obra de ligação com a rodovia Cônego Domênico Rangoni que nós estamos prevendo, as prefeituras estão pleiteando coletivamente, ao PAC Regiões Metropolitanas. Nós já entramos com o projeto dessa outra fase. No futuro, nós temos que ligar o túnel ao aeroporto e o aeroporto a cônego. A gente tem que pensar além. Estamos trabalhando na fase 2 da Perimetral. A Codesp já entrou com o edital de licitação do projeto executivo, que contempla o acesso que nós precisamos para diminuir os impactos da safra. Nós estamos firmemente cobrando isso, porque não depende da prefeitura, são obras de caráter federal com a iniciativa privada, mas a prefeitura foi incisiva no estabelecimento do traçado e na articulação com todos os interessados. Eu criei, em 2013, o Gabinete de Gestão de Crise na questão logística portuária e nós continuamos atentos e firmes, cobrando mais investimentos para que a nossa cidade não sofra tanto no período de safra.
Projeto de túnel que ligará Santos a Guarujá foi alterado (Foto: Reprodução/TV Globo)
Projeto de túnel que ligará Santos a Guarujá
(Foto: Reprodução/TV Globo)
G1: Quais foram o erros e acertos da Prefeitura de Guarujá em 2013?
M.A. - A minha grande tristeza e frustração em 2013 não foi nem um erro, foi a questão dos precatórios. Estou hoje liderando a Frente Nacional de Prefeitos, estou vice-presidente da área de finanças, escolhida por prefeitos do Brasil, para discutir uma questão que é fundamental para a vida de municípios que sofrem com heranças de outras gestões. São heranças em termos de dívidas, por desapropriações, por ações trabalhistas, por não pagamento de serviços prestados a empresas, por empréstimos a bancos e, às vezes, por uma falta de defesa mais firme do interesse do município. No nosso caso são quase R$ 500 milhões de precatórios, meio orçamento de Guarujá hoje. Isso estava sendo controlado, estava sendo pago, como está sendo mensalmente. Nenhuma gestão pagou o precatório em Guarujá e isso é inconstitucional. Tem que pagar senão começa a ter problemas em outras áreas, como não repassar recursos, rejeição de contas da prefeituras, improbidade administrativa, tem outras consequências. Nós fomos pegos de surpresa com a decisão do STF que julgou inconstitucional a emenda 62 que garantia que municípios como Guarujá, com o estoque alto de precatórios, tivesse que deixar de pagar um valor que não comprometia tanto a política pública da cidade para pagar além daquilo que a gente pode. Nós tiramos da zeladoria, da infraestrutura e das obras que nós íamos começar que a gente teve que dar a nossa parte, nem começamos e pagamos. Mas, isso levou a gente a uma situação de limite. Eu estava com a cidade em ordem, com as dívidas parceladas, não sobrava e nem faltava dinheiro. Na hora, eu tive que pagar mais do que eu tenho. Eu tirei de onde ia impactar menos a vida das pessoas. Eu decidi que eu não ia mexer nem na saúde e nem na educação. Tivemos apoio da iniciativa privada no sentido de ajudar a prefeitura quando nós não tínhamos como fazer. Foi triste porque eu preparei a cidade para um 2013 de bastante êxito e as questões nacionais tiraram esse nosso sonho de 2013. Estou lutando muito com garra, com muito afinco para a gente sensibilizar os ministros do STF para mostrar uma proposta alternativa. A cidade estava se recuperando de administrações irresponsáveis. Não é justo com quem está pagando, com o cidadão que espera uma vida melhor. Você paralisa a cidade. Nós cortamos tudo que pudemos em 2013. A gente vinha em uma linha de desenvolvimento firme, com velocidade e, de repente, você estaciona, com grandes dificuldades. Mas, nós reagimos, fomos aos órgãos federais e estaduais. As secretarias cortaram as despesas ao limite sem comprometer as nossas políticas públicas. E tenho convicção que teremos um 2014 melhor, porque não deixaremos de lutar.